BoJack Horseman

BoJack Horseman é uma série muito promissora, que te prende na história e que sabe construir a história de uma forma competente, tanto que já foi renovada para uma segunda temporada, além de existir um easter egg com a abertura de “Horsin’ Around” e um episódio de natal do mesmo.

BoJack Horseman

Critica | Lucy

O que aconteceria se os humanos usassem 100% da capacidade cerebral?

Critica | Lucy

Resenha de Psicose, de Robert Bloch

Procurei enlouquecidamente nas livrarias e sebos durante anos e nunca encontrei! Estava prestes a desistir quando a Darkside Books decidiu republicar o título no Brasil! Viva!

As fugitivas

Neuromancer, 30 anos

Detalhes da edição especial de 30 anos de Neuromancer.

Neuromancer, 30 anos

LIVRO | Perdido em Marte

O que você faria se ficasse perdido em marte?

LIVRO | Perdido em Marte

O Iluminado, de Stephen King

O Iluminado se tornou uma das minhas obras favoritas a serem lidas durante o dia. Sim, durante o dia. Apenas.

O Iluminado, de Stephen King
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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Critica | Whiplash (2014)


O primeiro filme que assisti da maratona Oscar foi Whiplash e não me arrependo nenhum pouco.

A história trazida aos cinemas por Damien Chazelle, que tem em seu elenco o incrível, repito, incrível J.K. Simmons, como professor regente filho da mãe de uma escola de música, e Miles Teller, como inseguro porém determinado aluno, é um relato real de humanamente alcançável de determinação e trouxisse. Explico.

Andrew, o jovem aluno baterista, é escolhido por Terence Fletcher, o regente, para fazer parte da banca da escola de música (importante mencionar que a banca é composta apenas pelos melhores), como substituto do músico titular. Logo na primeira aula, ao invés de adquirir conhecimento técnico, Andrew recebe uma das maiores lições de trouxisse protagonizadas pelo professor aspirante a Dr. House. E a partir desse momento, sua vida vira um inferno, ao ser constantemente humilhado e forçado, pelo professor, a alcançar a perfeição.

Eu sei que falando assim o filme parece digno de sessão da tarde, no entanto, o seu grau de realismo e intensidade o tornam extremamente fácil de ser comparado com muitas situações do cotidiano comum, fato que o deixa encantador e merecedor de indicações ao Oscar.

Falando em Oscar, vale referir que o filme é o meu favorito, embora seja o mais humilde dentre os indicados. Contudo, sua simplicidade é avassaladoramente superada pela impecável atuação de J.K. Simmons, que deve (por favor) levar o prêmio de melhor ator coadjuvante. Da mesma forma, o filme também deve atrapalhar os candidatos de melhor mixagem de som. Porém, nas outras categorias a que concorre (melhor filme, roteiro adapatado e edição), o filme não deve prosperar.

Whiplash é o mais simples dos filmes candidatos, foi filmado em apenas 20 dias, em contrate ao ao concorrente Boyhood que levou 12 anos, com orçamento de $ 3.000.000,00 e tendo arrecadado mundialmente apenas $ 10.000.000,00. No entanto, sua simplicidade é sua maior arma contra a complexidade exagerada dos filmes politicamente adequados à grandiosidade hollywoodiana.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Critica | Sniper Americano (2014)


Sempre é difícil fazer comentários sobre filmes favoritos ao Oscar ou que tenham caído, previamente, no gosto popular, mas com o dia da maior cerimônia cinematográfica se aproximando, é impossível deixar de comentar, ainda que de forma simplória.

Há pelo menos seis anos, realizo a "maratona Oscar", em que assisto aos filmes indicados, em sua maioria, e, posteriormente, realizo alguns comentários por aqui. Então, vamos lá! Começamos com Sniper Americano.

O novo filme de Clint Eastwood, protagonizado por Bradley Cooper (Trapaça), conta a história de Chris Kyle, o maior "abatedor" americano, durante as primeiras investidas contra o Oriente Médio, após o 11 de setembro.

Kyle, que quando jovem dedicava seu tempo à atividades rurais, se alistou, ainda que tardiamente, no exército, a fim de fazer justiça e garantir a paz o seu país.

O filme, logo de imediato, estabelece um interessante equilíbrio entre a vida do sniper em guerra e no aconchego do lar (ao lado da esposa e dos filhos). Ainda, enfatiza as consequências que o ambiente de guerra provoca na vida daqueles que a presenciam de forma direta e indireta.

Ademais, o filme, ainda que gritantemente patriótico, busca evidenciar muito mais o reflexo pessoal da guerra do que o sentimento heroico propriamente dito. Tornando, assim, a história emocionalmente universal, ou seja, a história, diante de seu caráter emocional e pessoal, alcança com maior eficácia todos os públicos e não somente o americano.

Contudo, considero a maior qualidade do filme, a capacidade de transmitir a quem o assiste o sentimento de angústia e espera, sentimentos que o próprio Kyle enfrenta enquanto aguarda possíveis alvos de abatimento.

Quanto aos aspectos técnicos, a produção, de fato, possui qualidade saliente, mas não deve possuir força suficiente para vencer Interestelar nas categorias de som ou Boyhood na categoria de edição ou, ainda, A Teoria de Tudo na categoria de melhor ator ou, por fim, desbancar todos os 9 concorrentes da categoria de melhor filme. No entanto, acredito que incomodará na categoria de melhor roteiro adaptado (para aqueles que não sabem, o filme foi inspirado no livro de mesmo nome, publicado no Brasil pela editora Intrínseca).

Portanto, Sniper Americano, ainda que constituído de elevada qualidade técnica e portador de emocionante história, deve bater na trave no Oscar e ficar apenas com o prestígio já reconhecido pelo público.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

FILME | Lucy

O que aconteceria se os humanos usassem 100% da capacidade cerebral?

Esse é o principal questionamento abordado no novo filme de Scarlett Johansson. 

Lucy, uma jovem e normal norte americana, é recrutada, por livre e espancada vontade, por um grupo de traficantes orientais, para ser mula, transportando drogas dentro de seu abdômen (sim, dentro de seu abdômen). Durante o transporte, é agredida por um dos membros do grupo, fazendo com que o pacote da droga que carregava se rompesse e com que a substância fosse absorvida em grande quantidade pelo seu organismo. 

E a partir daí, a coisa fica LOU-CA.

Lucy, que antes era normal, digo, cerebralmente dentro dos padrões, passa a ter sua capacidade cerebral expandida, ou seja, se antes usava 10% (percentual médio de um ser humano, segundo o filme), agora passa a usar 20%, 30% e assim por diante.

A jovem, agora poderosa, se rebela contra os traficantes, dedurando todas as mulas e fazendo aliança com policiais.

Em paralelo à busca pelas mulas e à penalização dos traficantes, Lucy busca orientação de um grupo de estudiosos, dentre eles o personagem interpretado por Morgan Freeman, responsável pelas pesquisas de desenvolvimento cerebral. Assim, a história, que tinha um pezinho no mundo dos super heróis, passa a ter também um foco científico, transmitindo a quem assiste ao filme uma sensação maior de realidade. 

O filme, como disse, apesar de hipotético, no momento em que passa a abordar um lado científico acaba por criar uma atmosfera de veracidade e de fácil credibilidade. Aliado a este fato, temos o ritmo rápido dentro de pouco mais de 90min de filme, aumentando as expectativas e a evolução da narrativa e da personagem. Assim, no seu decorrer, vamos acompanhando a evolução de Lucy e o que acontece em cada um dos estágios até atingir o ápice, ou seja, até atingir o percentual de 100%.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Resenha | Guardioes da Galaxia


Guardiões da Galáxia é o mais novo queridinho cinematográfico dos fãs do Universo Marvel e faz jus ao status.

O filme conta a história de um menino, Peter Quill, que é abduzido no dia que sua mãe morre e é criado por um grupo de piratas espaciais. A história da um pulo de vinte e seis anos e, nos dias atuais, vemos Peter adulto, exercendo a atividade de caçador de recompensas.

Logo na primeira cena de Peter tentando resgatar uma relíquia, temos uma prévia do ritmo que o filme vai levar (quando digo ritmo, quero dizer ritmo musical mesmo). O Senhor das Estrelas (codinome de Peter) possui uma fita com várias músicas (awesome mix vol. 1), com sucessos dos anos 80, que foi gravada pela sua mãe. Assim, ao longo de todo o filme, principalmente em cenas de ação, somos embalados com os seguintes hits*:

No.
Título
Artista
1.
"Hooked on a Feeling"  
Blue Swede
2.
"Go All the Way"  
Raspberries
3.
"Spirit in the Sky"  
Norman Greenbaum
4.
"Moonage Daydream"  
David Bowie
5.
"Fooled Around and Fell in Love"  
Elvin Bishop
6.
"I'm Not in Love"  
10cc
7.
"I Want You Back"  
The Jackson 5
8.
"Come and Get Your Love"  
Redbone
9.
"Cherry Bomb"  
The Runaways
10.
"Escape (The Piña Colada Song)"  
Rupert Holmes
11.
"O-o-h Child"  
Five Stairsteps
12.
"Ain't No Mountain High Enough"  
Marvin Gaye and Tammi Terrell
Continuando...

Peter acaba resgatando uma relíquia que desperta a inveja do maior inimigo das galáxias, Thanos, que obriga seu subordinado Ronan, a recuperar o objeto.

Em meio as confusões e cenas de ação, a fim de garantir a derrota de seus inimigos e salvar um dos planetas em perigo, o Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocket Raccoon e Groot, se reúnem e dão origem aos guardiões da galáxia.

E assim segue o filme, cheio de cenas bem humoradas e repletas de ação, que são acompanhadas pelas músicas viciantes do "awesome mix vo 1". Portanto, de modo resumido, posso dizer que o filme é completamente "I am Groot".


* Dados obtidos junto ao Wikipedia.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Critica | Gravidade


A época das grandes premiações está chegando e com ela grandes filmes, por óbvio, e por isso, nada melhor do que começar a temporada de maratonas "pré Oscar" com um dos filmes mais comentados nos últimos meses (principalmente por aqueles que tiveram a oportunidade de assisti-lo em IMAX): Gravidade.

O filme dirigido pelo já aclamado Alfonso Cuarón tem um elenco "estelar", se é que vocês me entendem, contando com as presenças de Sandra Bullcok e George Clooney. E além do ótimo elenco, o filme conta ainda com efeitos espaciais, digo, especiais, de tirar o fôlego.

A história do filme é bem simples e por si só angustiante: os tripulantes da Explorer estão percorrendo a órbita da terra para consertar alguns satélites, porém, durante a missão, são avisados de que os russos acabaram de explodir um satélite, fazendo com que seus destroços viagem a alta velocidade, e o pior, em sua direção.

"Houston, we have a problem."

O grupo é atingido, fazendo com que a dupla protagonista fique à deriva no espaço contando apenas com o pouco combustível restante do jetpack de Matt (Clooney) e o escasso nível de oxigênio de Ryan (Bullock) para voltar até à Explorer. Lá chegando, percebem que o transporte foi completamente destruído e todos os tripulantes foram mortos. Agora, sua única alternativa é chegar até a estação espacial russa, que é a mais próxima, para usar o módulo Soyuz para voltar para a Terra. Lembrando: o jetpack de Matt está sem combustível, Ryan está sem oxigênio, eles tem apenas 90min antes de serem atingidos novamente pelos destroços e eles estão à deriva no espaço.

Se você pensa que a história é resumida apenas a estes fatos, você está muito enganado. Em nenhum momento é possível se sentir em paz ou seguro, pois o nível de realidade transmitido pelos atores e pela arte belíssima, torna qualquer 1h30 de filme angustiante, e além disso, os fatos acontecem em escala progressiva de dificuldade. Em certos momentos, perdemos a esperança e em outros... bom... não há outros.

Gravidade, que já está entre os 10 finalistas na categoria de melhor efeitos especiais ao lado de Elysium, O Hobbit: A Desolação de Smaug, Homem de Ferro 3, O Cavaleiro Solitário, Oblivion, Além da Escuridão: Star Trek, Thor: O Mundo Sombrio, Círculo de Fogo e Guerra Mundial Z, certamente estará presente no Oscar, incomodando e vencendo, espero. Além disso, o filme produzido pela Warner, teve um orçamento de cem milhões de dólares e já arrecadou ao redor do mundo o valor de $642,271,195. 

E para terminar, Jonas Cuarón, filho de Alfonso Cuarón, também responsável pelo roteiro do filme, criou um curta chamado "Aningaaq", onde mostra com quem a Dra. Ryan Stone conversava durante uma das partes mais emocionantes do filme. Abaixo, você consegue assistir ao vídeo, que não é recomendado para aqueles que ainda não assistiram ao filme.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Critica | Capitao Phillips


E o Oscar vai para...

Ok. Sei que é muito cedo, nem indicados temos, mas que Tom Hanks incomodará no Oscar 2014, aah isso eu tenho certeza!

Capitão Phillips é um filme dirigido por Paul Greengrass (Vôo 93 e O Últimato Bourne), baseado no livro "A Captain's Duty: Somali Pirates, Navy SEALs, and Dangerous Days at Sea", escrito pelo próprio Capitão Phillips, e que tem em seu elenco, Tom Hanks e Barkhad Abdi, ambos com inúmeras indicações nas diversas premiações pré Oscar ao redor do mundo.

O filme conta a história de uma tentativa de sequestro de um navio de grandes cargas, por alguns piratas da Somália, e a tentativa do capitão do navio, Phillips, de manter a paz e de usar artimanhas inteligentes para conseguir enrolar os criminosos enquanto a ajuda do governo não chega.

História digna de um espaço na "tela quente", não?

Agora, imaginem a seguinte situação: você, capitão de um navio, responsável pela carga e pela vida dos tripulantes, está em alto mar quando é interceptado por alguns piratas fortemente armados e que estão dispostos a conseguir alguns milhões, custe o que custar. Você não tem para onde correr. Você não tem como se esconder. Suas únicas armas são a inteligência, a estratégia e a capacidade de argumentação.

Em um segundo momento, imaginem esta outra situação: você, um morador de um vilarejo da Somália, acostumado a passar fome e sua única possibilidade de se manter vivo é acatando as exigências milionárias do chefão da pirataria local. Você está sozinho na luta por sua sobrevivência. Você não se importa com o que ou quem está no navio de cargas. Você apenas quer o dinheiro. Você apenas quer se manter vivo. Custe o que custar.

Bom, acredito que agora pelo menos uma parte da essência da intensidade da história tenha conseguido atingi-los, a outra parte, fica sob a responsabilidade do elenco e do ritmo do filme.

As atuações de Hanks e Abdi são fantásticas, aliás, nesta lista ainda incluo o nome de Faysal Ahmed, pois o trio provoca diversas reações no público que assiste ao filme, criando uma atmosfera de total realidade. Tom Hanks vive o Capitão Phillips, enquanto Barkhad Abdi e Faysal Ahmed vivem 2 dos quatro piratas que atacam o navio.

O ritmo do filme criado pelo roteiro, que por sinal está ficando injustamente por fora das indicações dos principais prêmios, é uma verdadeira avalanche de sentimentos e ações, que acompanham os ritmos das ondas em alto mar, ou seja, a história é embalada por acontecimentos cheios de altos e baixos.

Por fim, considero Capitão Phillips uma das melhores produções do ano e digna, sem sobra de dúvidas, de vários Oscars, devido à qualidade técnica abordada e devido à intensidade da história. Agora apenas nos resta saber se o filme terá seu valor reconhecido pela Academia ou será o grande azarão do ano.

sábado, 13 de julho de 2013

CRITICA | Hasta la Vista: Venha como voce e

Philip (à esquerda), Jozef (centro) e Lars (direita) durante a viagem de suas vidas.

Hasta la Vista é uma produção Belga de 2011 que tem uma premissa muito interessante, conta a história de 3 amigos com diferentes deficiências: Jozef (Tom Audenaert) é deficiente visual, Lars (Gilles De Schrijver) paraplégico e Philip (Robrecht Vanden Thoren) que após uma doença genética acabou ficando tetraplégico. O objetivo dos 3 é viajar até um bordel na Espanha que atende clientes especiais como eles para que possam finalmente perder sua virgindade.

Partindo nesta aventura os três acabam encontrando diversos obstáculos e momentos tocantes fazem parte da jornada, além de uma boa dose de comédia. Outro ponto muito forte do filme é a química entre os atores, chega a ser verossímil. Um feel good movie que vale a conferida.

O filme tem uma bela fotografia e o trio principal consegue convencer como deficientes. O roteiro é simples, mas muito bem elaborado contendo diversos momentos de comédia, drama e até mesmo romance. Um ponto forte do filme é tratar com dignidade a deficiência, em nenhum momento os personagens são tratados de maneira diferenciada ou com excesso de melodrama, do contrário, rendem muitos momentos hilários.

Por Rafael Brito


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Livro e Filme | Alfred Hitchcock e Os Bastidores de Psicose


Alfred Hitchcock é sempre alvo grandes homenagens, no entanto, o ano de 2012 superou todas as expectativas: foram lançados um box contendo 14 filmes do diretor em blu-ray, um livro, um filme e outros tantos mimos mundo a fora. 

digipack, além de conter os 14 filmes em blu-ray, ainda traz cards com a estampa do poster de cada um dos filmes e um livreto com informações. O box com os filmes pode ser adquirido através deste link e para mais informações acesse o Blog do Jotace.

Como dito, ainda foram lançados um livro e um filme, sendo este baseado naquele. O livro intitulado "Alfred Hitchcock e Os Bastidores de Psicose", da editora Intrínseca e escrito por Stephen Rebello, traz uma super abordagem dos bastidores do filme Psicose, exatamente como o nome diz, nos fazendo experienciar os momentos de pré produção do filme, os desafios financeiros sofridos que levaram o diretor a hipotecar a própria casa, o desafio de encontrar um roteirista bom e barato e um elenco novo e disposto a enfrentar momentos audaciosos, enfim, os bastidores de um dos maiores filmes da história do cinema.

O livro aborda aspectos extremamente técnicos de Psicose, trazendo inclusive trechos de entrevistas com membros da equipe que produziu o filme, curiosidades e informações financeiras, ou seja, um verdadeiro livro para quem ou é fã do filme ou do é fã do diretor.

O filme baseado no livro "Alfred Hitchcock e Os Bastidores de Psicose" recebeu apenas o nome de "Hitchcock" e se tornou uma homenagem completamente diferente da proposta no livro. O filme dirigido por Sacha Gervasi tem em seu elenco nada mais nada menos do que Anthony Hopkins como Alfred Hitchcock, Helen Mirren como Alma Reville, Scarlett Johansson como Janet Leigh e Jessica Biel como Vera Miles. O filme prefere ser uma homenagem ao diretor e não ao filme, diferentemente do livro, salientando as relações pessoais do diretor e especulações acerca de um suposto affair de Alma, porém traz de forma sutil e indireta algumas informações técnicas.

Para aqueles que conhecem um pouco mais da história de Hitchcock ou que leram o livro, sabem que ele abominava qualquer intromissão na sua vida pessoal e que poucas foram as pessoas que tinham acesso aos detalhes da sua vida conjugal, portanto a "homenagem" cinematográfica acabou abordando um lado da história que não agradaria em nada o diretor.

Apesar da ressalva negativa, as atuações de "Hitchcock" são fantásticas, afinal, com um elenco desses não haveria como ser diferente. Anthony Hopkins está muito convincente no papel principal, o ator conseguiu resgatar de forma majestosa o humor peculiar e o gosto mórbido do diretor. Helen Mirren é uma verdadeira rainha em cena, sua classe e o seu tradicional comportamento britânico são fatores essenciais de sua ótima atuação. Jessica Biel e Scarlett Johansson tiveram atuações medianas, porém proporcionais às suas participações na história abordada no filme. Outro aspecto maravilhoso do filme é a caracterização, principalmente a de Anthony Hopkins, conforme pode ser visto nesta postagem.

De forma resumida, podemos dizer que, apesar da pequena gafe, "Hitchcock" tornou-se uma bonita e divertida homenagem ao diretor, enquanto "Alfred Hitchcock e Os Bastidores de Psicose" tornou-se uma construtiva e curiosa análise de um dos maiores e subestimados filmes de todos os tempos.

O livro e o filme já estão disponíveis para venda aqui no Brasil.

domingo, 9 de junho de 2013

CRITICA | Os Infratores

“Os Infratores” conta a história dos irmãos Bondurant: Forrest (Tom Hardy de “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, 2012), Howard (Jason Clarke) e o caçula Jack (Shia LaBeouf da trilogia “Transformers”) durante o período da lei seca nos EUA. Os irmãos prosperavam fabricando seu whisky de garagem e o comercializavam em Chicago sem maiores problemas, até que a máfia envia Charlie (Guy Pearce de “Amnésia”, 2000) para acabar com o negócio.

Howard (Jason Clarke), Jack (Shia LaBeouf) e Forrest Bondurant (Tom Hardy)
Este é um filme de gângsteres bem construído esteticamente e também em relação à história. Diferente de “Caça aos Gângsteres” (2013) com uma história que não conseguiu envolver o espectador. A história é envolvente e prende o espectador do início ao fim, é daqueles filmes que te deixam aflito e na torcida pelos personagens, porque eles conseguem conquistar por serem bem desenvolvidos pelos atores e também são muito bem escritos. Em especial, o vilão da história, Guy Pearce está hipnotizante e consegue despertar até no mais cético espectador, uma repulsa incontrolável.

Guy Pearce como o desprezível vilão Charlie.
Em suma, “Os Infratores” consegue com êxito, acertar em vários pontos: Trilha sonora (coletânea e original), a fotografia esplendorosa de Benoît Delhomme e o roteiro muito bem amarrado de Nick Cave, além das atuações competentes de Tom Hardy, Shia LaBeouf e Guy Pearce. Pelo visto, Hollywood ainda consegue acertar, mesmo que seja difícil de acreditar, ainda mais com um bom diretor no comando, como John Hillcoat.

Por Rafael Brito

domingo, 19 de maio de 2013

Critica | Os Croods


Sabemos que ultimamente o afastamento entre familiares é cada vez mais constante, muito devido à busca intensa pelo conforto financeiro, então, nada mais natural do que empresas responsáveis pela propagação de sonhos e que tem por objetivo atingir crianças, realizem o papel de entreter os pequenos, implantar-lhes lições de moral, conquistar os adultos e manter/reestruturar os vínculos emocionais.

Os Croods são uma família pré-histórica de neandertais que vive com medo das selvagerias dos predadores do mundo do lado de fora da humilde e nada confortável caverna em que moram e com o tempo, Eep, a filha adolescente, começa a se dar conta de que não se encaixa mais na família, pois deseja aventurar-se no mundo e encarar as suas novidades.

Durante uma noite, Eep decide sair da caverna e no caminho acaba encontrando Guy, um homo sapiens, dominador do até então desconhecido fogo. Guy começa a contar a Eep os perigos que estão por vir, algo parecido com o que teria acontecido com o fim da pangeia, e durante a conversa, Grug, o patriarca Crood, os encontra, levando instintivamente Eep para longe do estranho. 

No caminho até a caverna, a família, que nessa altura já estava reunida, é surpreendida por um violento terremoto e tem sua caverna destruída. Diante da tragédia e a após muitas discussões, a família resolve pedir a ajuda de Guy para procurar outro lugar para morar. A família passa a desbravar todas as novidades do novo mundo, começa a aproveitar as vantagens do fogo e a rever inúmeras concepções "pré-históricas" diante de sua inaplicabilidade no novo período que estava começando.

O filme inteiro ataca os conflitos entre tradições/pensamentos antigos e tradições/pensamentos "modernos", simbolizando fatos que ocorrem até os dias de hoje, e como os medos e a falta de segurança interferem de forma negativa nas tais revoluções ideológicas. De outra mão, valoriza a importância das relações familiares e a necessidade de sua manutenção unida, ainda que entre tapas e beijos. Os croods é mais uma grande lição aplicável e acessível a todos os públicos que usa todas as ferramentas necessárias para atingir seus objetivos.

Por Mariana K Maciel

sábado, 18 de maio de 2013

Uma comedia viva: Todo Mundo Quase Morto

O grupo de sobreviventes se passando por zumbis

Simon Pegg (“Star Trek”, 2009) é Shaun, um pacato cidadão de Londres que divide um apartamento com seu amigo vagabundo Ed (Nick Frost de “Chumbo Grosso”, 2007) e trabalha como vendedor em uma loja de eletrônicos. Seu namoro com Liz (Kate Ashfield) não vai bem e então ele procura maneiras de salvar seu relacionamento quando de repente o mundo enlouquece e a maioria das pessoas se transformam em zumbis. Para salvar sua mãe e seus amigos ele decide levar à todos para seu pub favorito para esperar o mundo se salvar ou se destruir por completo.

O diretor Edgar Wright com um de seus zumbis
A química entre Simon Pegg e Nick Frost é tão boa que os dois atores repetiram a parceria em “As Aventuras de Tintim” (2011), “Chumbo Grosso” (2007) e “Paul” (2011). Em seu primeiro longa, Edgar Wright consegue deixar sua marca de cortes rápidos, história ágil e trilha sonora pop, elementos que podem ser reconhecidos em “Scott Pilgrim” (2009) e “Chumbo Grosso” (2007).


“Todo Mundo Quase Morto” é uma ótima sátira aos clássicos filmes de zumbi do mestre George A. Romero (criador do gênero com “A Noite dos Mortos Vivos” em 1968). Mesmo sendo uma comédia, filme consegue comover em alguns momentos e com certeza é um filme inteligente. Excelente pedida para quem procura diversão sem compromisso.

Por Rafael Brito

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Critica | As Seis Sessoes


Tive o prazer de assistir a este filme incrível. "Ah, porque incrível?" por ser uma história totalmente diferente do que estou acostumado e por ter quebrado o recorde de me fazer chorar rápido (comecei aos primeiros 11 minutos de filme, quando o personagem de John Hawkes - Mark O'Brien - declara seu amor à sua acompanhante). 


Outra coisa que chama muito a atenção é a sutileza do filme, ele trata de uma maneira tão natural o sexo que até os mais reservados ficam à vontade. Mark (John Hawkes) é um homem de 38 anos que teve poliomielite aos 6 e desde então perdeu todos os movimentos do corpo exceto a sensibilidade e atividade cerebral. Ele vive confinado em seu "pulmão de aço", uma máquina que o mantém vivo e é onde ele passa a maior parte do tempo. Ele é um poeta e dentre todos os mistérios existentes, um o vem atormentando frequentemente: a curiosidade sobre o sexo. 


Depois de fantasiar uma possível história com sua acompanhante e ser abandonado por ela (após declarar seu amor), ele procura por uma "terapeuta sexual" uma profissional bem diferente de uma prostituta, para que ele tenha relações sexuais. Sua terapeuta é Cheryl (Fantástica Helen Hunt), e quem vai lhe mostrar o que é o sexo e consequentemente o amor também. Mark cresceu em uma família religiosa e é um devoto fervoroso que pede conselhos ao novo padre de sua igreja (William H. Macy, de Magnólia) que acaba se tornando um grande amigo que o acompanha até o fim de sua jornada. Destaque para a performance de John Hawkes, que simplesmente é o coração do filme e consegue comover sem apelações, uma atuação que merece aplausos de pé.

Por Rafael Brito

sábado, 4 de maio de 2013

Critica | A Morte Do Demonio


"O filme mais apavorante que você verá nesta vida", é o que promete o slogan do filme e que de fato cumpre em grande parte. Junto ao slogan, trailers e imagens macabras ajudaram na super campanha de marketing e na supervalorização que envolveu o remake.

 Na história, um grupo de jovens amigos se reúne em uma distante cabana para ajudar Mia a se recuperar das drogas e lá chegando encontram no porão um cenário de magia negra. Observando o ambiente, os jovens encontram gatos mortos pendurados no teto, manchas de sangue e o que parece ser um livro envolto em saco plástico preto e arame farpado, o que desperta e muito a curiosidade dos jovens. Obviamente, após desbravarem o local satânico, um dos jovens, Eric, decide abrir o livro e ler alguns trechos em voz alta, o que sabemos não ser uma boa ideia, resultando em eventos sobrenaturais.

Mia, que estava debilitada devido à abstinência, passa a reagir de forma estranha, resultado dos delírios, pelo menos é o que pensam seus amigos, mas pouco a pouco passam a acreditar que tudo que está acontecendo foi de fato consequência da leitura do estranho Livo dos Mortos. A partir da descoberta somos agraciados (pelo menos os fãs do gênero) com cenas e mais cenas sangrentas e outras tantas de puro desespero e angústia.


O filme cumpre parcialmente seu papel de ser o mais apavorante da história pois de fato suas cenas são dignas de arrepios, mas apenas por serem muito bem feitas. O suspense que deveria andar concomitantemente ao clima proposto no filme falha muitas vezes e prejudica o tão supervalorizado slogan e o desfecho da história contribui para aquilo que muitos chamam de "filme de tela quente", porém nada que anule completamente a qualidade fantástica trazida na regravação.

Contando com a já esperada ótima atuação de Jane Levy, da série Suburgatory, A Morte do Demônio consegue ser um dos poucos remakes a honrar seu antecessor e até mesmo, em alguns aspectos, superá-lo.  Portanto, ainda que a proposta não tenha sido cumprida na sua integralidade, dentre os filmes do gênero dos último tempos, A Morte do Demônio é uma agradável e sangrenta surpresa.

Uma parceria com GNC cinemas

sábado, 27 de abril de 2013

Critica | O Segredo Da Cabana


The Cabin In The Woods é o título original de O Segredo da Cabana, ou se preferirem, A Casa Na Floresta, como nossos colonizadores chamam, filme de terror dirigido por Drew Goddard e protagonizado por Chris Hemsworth.

Na história, cinco jovens resolvem se reunir para passar um tempo em uma sinistra cabana e lá chegando encontram no porão um antigo e misterioso diário. Após, de forma inoportuna, um dos jovens resolve ler em voz alta algumas palavras do livro (como sabemos, isso nunca é um bom sinal) e como consequência alguns eventos trashes começam a acontecer.

A história faz muitas referências ao clássico A Morte do Demônio e garante a presença constante de litros e mais litros de sangue, um ritual completo de referência. No entanto, ao longo do filme, vamos observando um festival de gafes e acontecimentos completamente sem sentido, mas muito bem feitos, tecnicamente falando, e para aqueles que ainda não assistiram, recomendo-o como meio de receber vários sustos ensanguentados e observar uma interessante versão alternativa do clássico que mencionei antes. Apenas ressalto a decepcionante tendência ao clichê exalada pelo filme.


Além da presença de Chris Hemsworth, o elenco ainda conta com Kristen Connolly, da série House Of Cards, Anna Hutchison, Fran Kranz, de A Vila, Jesse Williams e Sigourney Weaver, que dispensa apresentações. A direção, como dito, é de responsabilidade de Drew Goddard, um famoso ROTEIRISTA,  cujo trabalho de maior notoriedade foi Lost. Goddard ainda assina o roteiro do filme ao lado de Joss Whedon (diretor de Os Vingadores).

O reality show conspiratório proposto no filme foi tido por muitos como uma grande reviravolta, inclusive ponto digno de congratulações, contudo, apesar de surpreendente e igualmente invocativo ao clássico A Morte do Demônio, o ambiente proposto e os seus acontecimentos se tornam inacreditavelmente bizarros a ponto de contrastar e estragar as conquistas obtidas no seu decorrer. O maior ponto negativo do filme.

Ainda que possua final decepcionante, a qualidade técnica agrada bastante e as atuações são bem superiores à média dos filmes do gênero de ultimamente, aspectos que já fazem valer a pena os 95 minutos do filme e para completar, as presenças de Chris Hemsworth e Sigourney Weaver são as cerejas do bolo. Por fim, recomendo o filme mas é meu dever alertar sobre os perigos do abismo do clichê e do bizarro.

Confira a crítica do remake de A Morte do Demônio.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Critica | Anna Karenina (2012)


Anna Karenina não nasceu filme, nasceu livro, porém não um livro qualquer e sim, uma publicação assinada por Tolstói. As adaptações desta obra para o cinema não foram poucas, cinco se formos especificar e contar com a mais recente e sempre contaram com grandes atrizes: Greta Garbo (1935), Vivian Leigh (1948), Jacqueline Bisset (1985 - versão feita para a televisão) e Sophie Marceau (1997).

Para aqueles que desconhecem o enredo, informo que a história de Anna Karenina é uma trama de ousadias, quebra de paradigmas e personalidades fortes, qualidades que foram muito bem proporcionadas pelas atrizes que citei e exatamente o oposto ao que Keira Knightley conseguiu reproduzir na versão que concorreu ao Oscar este ano.

A versão de 2012 é dominada por audacioso figurino, que por sua vez transparece a moda predominante no período em que o filme é adaptado, resultando de forma nada surpreende em prêmios, dentre eles o de Melhor Figurino na 85º Cerimônia de entrega dos Academy Awards. Em contrapeso, o clima teatral proposto neste filme, de forma muito errônea diga-se de passagem, transmite apenas confusão visual e o objetivo se perde nesta tentativa de resgatar o classicismo exigido no romance russo. 

O Karenin, vivido por Jude Law, é a grande esperança e revelação do filme. Deixe-me explicar: O ator, de forma muito positiva, torna o personagem literário de pouca autonomia e personalidade em um grande político amarrado aos dogmas propostos pela alta sociedade russa, uma ótima atuação, sem sombra de dúvidas e que inverte os papéis e os carismas.

Keira Knightley, como já mencionei, faz uma atuação medíocre (nada diferente do que vem fazendo há anos), resultando em um evidente desencaixe da própria atriz e seu papel realizado com a proposta original de Tolstói. Uma completa gafe cinematográfica e um insulto literário. 

Completando o triângulo, temos Aaron Johnson no papel de Conde Vronsky, um jovem muito rico que usa a sua beleza e charme para tirar dos trilhos Anna Karenina, e apesar do já provado talento, o ator se deixou levar pelo clima de deficiência e acabou realizando um trabalho ao nível de seu par.

Por fim há de se mencionar as atuações medianas dos atores secundários, o que muito se deve ao roteiro atrapalhado e à teimosia da utilização dos cenários teatrais, e a decepcionante direção de Joe Wright, que dirigiu Desejo e Reparação com a fantástica Keira Knightley, conhecem? Em fim, Anna Karenina, apesar dos erros, não deixa de ser uma história comovente e clássica, afinal a essência da sua história está lá (meio escondida, mas está) acompanhada pelo maravilhoso figurino e a atuação "pau para toda a obra" de Jude Law.

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sexta-feira, 8 de março de 2013

Critica | Oz, Magico e Poderoso


Oz, Mágico e Poderoso é mais uma história clássica ressuscitada pela Disney, resultado daquilo que a empresa melhor sabe fazer: fabricar sonhos.

Oz, ou melhor, Oscar Zoroaster Phadrig Isaac Norman Henkel Emmannuel Ambroise Diggs é uma fraude que se diz mágico em um pequeno circo e que sonha ser alguém importante, alguém que as pessoas possam admirar. Apesar de seu desejo, o mágico falsário mantem todas as tendências charlatonas e conquistadoras, até o dia em que se vê obrigado a fugir do circo para evitar ser dado de comida aos leões. No momento da fuga, que por sua vez se dá em um balão de ar, Oz é atingido por um tornado e mediante mil e uma promessas de melhora de caráter acaba sobrevivendo e caindo em um mundo colorido e mágico que recebe, coincidentemente, o seu mesmo nome.

Chegando em Oz, o mágico logo é incumbido, por Theodora e Evanora (duas irmãs bruxas), vividas por Mila Kunis e Rachel Weisz, da difícil tarefa de matar a terrível bruxa má, Glinda, e em troca o mágico receberia o trono do mundo de Oz, como prometido em profecia. No entanto, Oz acaba descobrindo que Glinda é na realidade a bruxa boa e Evanora é a terrível bruxa que mantem o povo de Oz escravizado e sem paz.

Repleto de imagens gráficas de fácil percepção de falhas, o filme mascara relativamente bem tais defeitos com o seu 3D bem feito, característica que vem se destacando nos últimos filmes da Disney, porém compensa com seus personagens cativantes, marca registrada da empresa. As atuações são de acordo com as expectativas, apenas ressaltaria as participações da atriz Mila Kunis (Theodora) que mostra ser uma bruxa muito convincente e da maior surpresa do filme, Michelle Willians, que na minha humilde opinião, é uma das atrizes mais sem graça da atualidade, salvo raros papéis (ex.: Minha Semana Com Marilyn) em que obtém êxito, a atriz conseguiu transparecer bondade, carisma e provou que de bruxa má nada possui.

Outro grande destaque, como também já é de costume, é a caracterização dos personagens (cabelo, maquiagem e figurino), recheada de lindos detalhes (como pode ser visto nas imagens abaixo), que são responsáveis por um fantástico espetáculo visual complementar às atuações. Um grande presente para o público de São Paulo é que os figurinos e alguns objetos do filme estão em exposição até o dia 15 deste mês (para mais detalhes clique aqui).


De forma geral, o filme é, obviamente, dedicado ao público infantil e como prova encontramos o baixo nível de violência e a clareza da mensagem moral trazida. De outra mão, há determinadas correlações que apenas os menos jovens possivelmente conseguirão fazer, principalmente entre os personagens fantásticos do mudo de Oz e os personagens do mundo real do mágico Oz, semelhanças sutis e que complementam a moral do filme.

Por fim, o filme mostra ser mais fantástico do que realmente é, porém devido ao seu poder cativante, seus personagens conquistadores e seu enredo mágico o filme se torna mais um exemplo vivo do verdadeiro estilo Disney de ser, ou seja, a capacidade de transformar em realidade fantástica os mais incríveis sonhos impossíveis.



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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Critica | Os Vingadores


O filme de Os Vingadores colocou um ponto final na ânsia dos milhares de fãs da Marvel ao juntar, após anos, alguns dos principais heróis dos quadrinhos em um único lugar (filme). Antes de o longa ser lançado nos cinemas, já haviam sido lançados dois filme de O Homem de Ferro, um filme de Thor, um filme de O Capitão América e alguns filmes de Hulk (aliás, Hulk no cinema é uma assunto delicado), portanto já tínhamos conhecimento dos rostinhos, ou pelo menos de sua maioria, que nos alegrariam, ou não, no mais novo projeto de Joss Whedon.

Em meio a tantas expectativas além das cobranças e responsabilidades que a história por si só traz, os vingadores acabou se perdendo dentro de uma trama fraca e infantil que tenta amortecer seus pontos negativos com espetáculos visuais, vulgarmente conhecidos como 3D, com o carisma de Robert Downey Jr. e os rostinhos bonitos de Chris Evans e Chris Hemsworth (há quem inclua Mark Ruffalo à lista).

Na história, o Tesseract está sob o domínio e estudos da S.H.I.E.L.D, maior organização "administradora de heróis'" dos universos, e inesperadamente o cubo mágico começa a sofrer alterações eletromagnéticas, radioativas, enfim, entra em trabalho de parto e um enorme portal se abre, dando à luz a Loki, o rejeitado irmão de Thor, e aí que toda a emoção (emoção?) começa. Rapidamente a S.H.I.E.L.D começa seu plano infalível e convoca seus melhores e mais famosos heróis: latão humano, aranha, robin hood, tomate verde, bela adormecida e, em meio a confusão, Thor surge no maior estilo deus de ser. Nick Fury vai à loucura com tantos heróis legais reunidos e a sua disposição.

Inúmeros eventos acontecem, uma hora os heróis estão no comando da situação e outra Loki está, mas podemos resumir o alvoroço simplesmente como sendo um jogo de manipulações previsíveis e baratas, sobrando até mesmo para Nick Fury (o seu, o meu e o nosso sempre Jedi Samuel L. Jackson) participar da ciranda e entre as jogadas, obviamente, acaba sobrando para os heróis salvarem o mundo.

A história composta por um roteiro fraco e dedicada ao público infantil (acredito) agrada poucos, ou talvez agrade apenas aqueles que detêm pouco conhecimento pelo assunto Marvel/quadrinhos ou até mesmo conhecimentos técnicos cinematográficos, serve de bom entretenimento e possibilita a realização do sonho de reunir histórias de grandes heróis já contadas em outros filmes, mas fica apenas nisso.

Infelizmente o sonho dura pouco, a alegria que era muita acabou se restringindo aos trailers, clipes e teasers cheios das melhores cenas e restou para o filme apenas o vazio e o humor característico de Tony Stark que não consegue ser suficiente para tornar o filme tão bom quanto os seus filmes solos. Enfim, Avengers (ou Vingadores, como preferirem) tinha tudo para ser um dos maiores filmes, não estou falando em bilheteria e sim em qualidade, mas acabou pecando em confiar que apenas as figuras carismáticas e já consagradas fossem conseguir segurar a responsabilidade e carregar sozinhas o sucesso de uma grande história.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Crítica | A Hora Mais Escura


The Zero Dark Thirty é o título original de A Hora Mais Escura, o famoso filme do Bin Laden, injustiçado em inúmeras premiações, como vem sendo falado incansavelmente pela imprensa. A história é aquela que já estamos cansados de ouvir, é a caçada ao homem mais procurado e perigoso do mundo pelo governo americano e sua conquista ao completar a missão. Será?

O filme começa com uma forte cena de tortura, demonstrando da forma mais clara possível como eram tratas as fontes de informações do governo americano e o quanto estas fontes repudiadas e até mesmo enganadas, quando não manipuladas, eram facilmente descartadas quando não mais necessárias. Esta cena e outras tantas que surgem no decorrer do filme foram alvos de severas críticas, por serem honestas, como diz a própria diretora, e de maneira alguma incentivam a prática de seus atos, pelo contrário, servem como sutil denúncia e crítica aos atos americanos, um dos maiores paradoxos do filme.

Apesar da, como dito, sutil denúncia, o ambiente do filme sugere durante todo o seu percurso que o povo muçulmano deve ser tratado com desconfiança e que não existe nada mais importante no mundo do que a cabeça premiada do terrorista, sentimentos preconceituosos e, infelizmente, de caráter dominante na população americana, o que não é à toa. Após o trágico evento do 11 de setembro, o governo americano se fechou em copas e declarou indiretamente guerra a um povo inteiro representado por poucos e eternamente estigmatizado e amaldiçoado desde então.

Jessica Chastein, após sua ótima atuação em História Cruzadas, retorna neste filme com uma atuação   inversamente proporcional à exigência de sua personagem embora o seu esforço seja evidente e sua audácia constante, fatores que provavelmente a ajudaram muito a conquistar alguns prêmios por aí, mas faltou alcançar atitude, característica fundamental da personagem. A atriz dá vida à Maya, agente da CIA que decide se dedicar a descobrir o paradeiro de Bin Laden, primeiramente por instinto e necessidade americana e depois por vingança, e acaba se tornando a responsável pela missão de reconhecimento que resulta na morte do terrorista.

Kathryn Bigelow, nossa destemida diretora, mais uma vez repete a parceria com o roteirista Mark Boal, responsável pelo roteiro de Guerra Ao Terror, e peca ao fazer um filme longo, com pouco enredo e enrolado. São mais de duas horas do mesmo blá blá blá que eventualmente é animado por algumas explosões, porém nada que seja suficiente para manter quem assiste acordado, e acaba perdendo o domínio da situação dentro de seus 157 longos minutos. 

Apesar de seus defeitos, o ponto mais positivo do filme é, sem dúvidas, as suas poucas indiretas ao governo americano, tão rápidas que se não bem observadas passam despercebidas, mas que estão lá para incomodar e causar desconforto (aqui entra mais uma vez o paradoxo de que falei). Tais indiretas poderiam ter sido mais usadas pela diretora e seu roteirista, mas o espírito americano e a necessidade patriótica falam mais alto as vezes e até mesmo as críticas são feitas com medo, também, devido à prováveis e futuras represálias.

O final do filme é o momento de maior agitação, uma cena longa, extremamente detalhada (aqui não critico sua demora, afinal é o ponto alto do filme), cheia de violência e os relatos da ocasião são seguidos a risca, desde a infiltração na casa, a morte de vários dos habitantes do local, a descoberta de inúmeros arquivos cheios de 'spoilers' sobre o futuro do terrorismo, até a chegada ao objetivo daqueles 157 minutos que falei, a morte de Bin Laden, ou pelo menos achamos que é ele, afinal de contas nem o governo americano parece ter tanta certeza, e o filme resgata esta dúvida ao mostrar pequenos relances da face suja de sangue e desfigurada do terrorista, quando não através de fotos, como aquelas que vazaram para a imprensa na época, representado mais uma vez de forma indireta uma crítica à incerteza americana.

Enfim, A Hora Mais Escura tinha tudo e mais um pouco para ser um dos filmes mais audaciosos e auto críticos dos últimos tempos, mas peca ao ter medo de expressar tacitamente sua opinião, acaba se tornando mais uma repetição prolongada daquilo que zilhões de jornais, telejornais, rádios e sites informaram na época já de forma repetida, e uma mera ilustração do sentimento indiscreto dos covardes influenciados pela boa moral.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Crítica | Frankenweenie


- Quem conhece o curta metragem Frankenweenie?
- Curta?
- Isso mesmo.
- Mas o novo filme de Tim Burton não é um curta.
- É verdade, mas ele é baseado em um.

Na década de 80, Burton estava assistindo a um dos clássicos do terror, Frankenstein, lembrou de um cachorro que teve na infância e subitamente teve a ideia de adaptar a história de Frankenstein para o seu mundo, porém com um viés menos agressivo e mais humano.

Neste filme, assim como no curta, temos o personagem Victor Frankenstein e seu cachorro e fiel escudeiro Sparky. Um dia, durante uma partida de baseball, Sparky vai atrás da bola que havia sido rebatida para fora do campo e é atingido por um carro, não restando possibilidades de sobrevivência e Victor, como esperado, fica muito triste, afinal de contas Sparky era seu único amigo. Algum tempo depois, durante uma aula de ciências, Victor descobre que criaturas vivas, mesmo após a morte, reagem a impulsos elétricos e imediatamente tem a ideia de trazer à vida seu adorado Sparky.

No curta, o laboratório de Victor é equipado com os objetos usados no filme inspirado no livro de Mary Shelley e o mesmo ambiente é trazido na animação, apesar de ser mais discreto, e é neste ambiente que Victor e, originalmente Dr. Frankenstein, trazem à vida suas obras primas. Após a ressuscitação, Sparky é visto pelos vizinhos que pensam se tratar de alguma criatura demoníaca comedora de criancinhas (ok, isso foi levemente exagerado, mas eles realmente pensaram que era um monstro) e em meio a confusão alguns colegas de Victor descobrem sua façanha e resolvem trazer suas próprias criaturas à vida, o que gera ainda mais confusão e agora, Victor e Sparky terão que salvar a cidade que os quer destruir.

O filme dirigido por Burton é uma obra prima, assim como Sparky, e resgata não só o clássico curta do diretor mas a sua própria essência sombria e estranhamente sensível e humana, aquela mesma essência que vemos em Edward Mãos de Tesoura, por exemplo. Além do resgate pessoal, podemos observar mais uma lição de amizade trazida pelo cinema durante o ano de 2012 e a propósito, é uma linda história de amizade, algo que somente poderia ter sido escrito e transmitido por alguém que já teria passado pela terrível perda de um fiel escudeiro.

A animação é em preto em branco, assim como o clássico que a inspirou e seu desfecho é semelhante, exceto por possuir final feliz, conta com um excelente trabalho artístico também desenvolvido por Tim Burton e trilha sonora tradicionalmente criada por Danny Elfman. Como prova final do retorno de Burton às origens temos a ausência de Johnny Depp e Helena Bonham Carter no elenco, o que nunca havia deixado de acontecer desde Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, respectivamente.

Enfim, podemos considerar ambos os filmes duas pérolas artísticas e duas reproduções sombriamente sensíveis e repletas de sentimentos, união de características que só seriam possíveis e dariam certo no estranho mundo de Tim Burton. Portanto, aqui deixo minhas cinco estrelas e um enorme parabéns ao mestre do genialmente estranho estilo Burton de ser.

Assista abaixo ao curta original de Burton:

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Crítica | O Impossível


O desastre natural que impactou o mundo em 2004 ganhou uma versão cinematográfica que cumpre a promessa de relembrar o mundo o sofrimento daqueles que lá estavam através da história da família Bennett (nome adaptado para o cinema).

A história baseada em fatos reais mostra o sofrimento da família para se reencontrar e para vencer o medo e a morte. Maria, Henri e seus três filhos, Lucas (15 anos), Tomas (7 anos) e Simon (5 anos) foram passar as férias na Tailândia mas não esperavam que o descanso fosse ser interrompido por uma devastadora onda gigante.

Os detalhes do filme são impressionantes, desde o som assustador que antecede a tragédia, como inúmeras vezes é descrito por aqueles que sobreviveram, até a superlotação dos hospitais e sua desorganização. A fantástica atuação do trio mirim, que deixa a dos veteranos no bolso, é a cereja do bolo para a perfeição de um filme dramático, uma combinação invejavelmente clichê e emocionantemente envolvedora.

Além dos detalhes mais salientes, temos as ótimas cenas de inundação, feitas com grandes recursos cinematográficos de sobreposição de imagens (como pode ser visto aqui) resultando em altos níveis de realismo e agonia. Podemos sentir o drama vivido pelos que estavam no local onde ocorreu o tsunami, obviamente que em doses muito menores, mas mesmo assim suficientes para transferir a quem assiste os sentimentos mais próximos da realidade.

Este filme de direção mediana liderada por J.A. Bayona (O Orfanato) e trilha sonora irrelevante, ainda possui um grande ponto negativo, a atuação de Ewan McGregor. O ator, que há certo tempo vem realizando um trabalho medíocre no cinema, não se esforça para acompanhar o ambiente proporcionado pelo filme e é humilhado pelas incríveis atuações das crianças e, surpreendentemente, de Naomi Watts. Henry é o único personagem por quem não fazemos questão de dividir sentimentos diante de sua inexpressividade.

Portanto, prepare seu lenço ao assistir este filme, reviva um dos momentos mais dramáticos dentre as tragédias naturais do século XXI, apenas ignore o trabalho de Ewan McGregor (o que não será tão difícil) e se solidarize com a história real da família Belón.